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10 de fev de 2010

É só (?) um arco-íris

O Fórum Social Mundial 2010 ainda reverbera... e que assim permaneça! A Aldeia da Paz, mesmo estando distante do centro metropolitano deixou marcas e estruturas, como vimos em Esteio. O Fórum terminou mas a Aldeia permanece ainda presente no coração de quem esteve lá, nos sonhos de quem visitou e vislumbrou um sonho possível de se realizar. Grupos da Região já se organizam para dia 27/02/2010 realizarem atividades no Monumento pela Paz que ficou instalado em Esteio, no Parque Galvany Guedes.


Abaixo compartilho um artigo da Vera Damian que descreve um pouco do que se presenciou na Aldeia da Paz...


Enquanto palestras e debates costuravam a temática do seminário do Fórum Social Mundial 2010 - Dez Anos Depois: Desafios e Propostas Para Um Outro Mundo Possível - uma pequena ilha em meio ao Fórum vivenciava na prática um outro mundo e mostrava que “sim, é possível”.


FSM - Aldeia da Paz, com um arco-iris ao fundo: ideais na prática
Por Vera Damian, especial para EcoAgência de Notícias em 29/01/10


A Aldeia da PAZ - nome psicodélico que remete para uma utopia futurística – criou uma nação de 350 pessoas de vários lugares e países num espaço delimitado dentro do Acampamento Intercontinental da Juventude. Ausência de álcool, de cigarros industrializados e de produtos de origem animal. Presença de trabalho e solidariedade.

"Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos preocupados e comprometidos possa mudar o mundo. De fato, é só isto que o tem mudado". A frase de Margaret Mead foi exibida e justificada na Aldeia da Paz .
Desde sexta-feira, 22 de janeiro, quando os integrantes começaram a chegar até o dia 27 (quando estive lá) já haviam implementado soluções exemplares.
No armazém do cais do Porto, os debates do seminário Nova Agenda de Sustentabilidade apontavam que discursar sobre o antineoliberalismo já não é suficiente. “O grande desafio hoje é colocar a socialização dos bens comuns da natureza no centro da teoria e da prática”, palestrou Fátima Mello (Fase/Brasil). Na Aldeia da Paz não aconteciam palestras nem debates antiqualquercoisa. Só conversas em grupos - sempre em formato de roda - e ações - decididas no coletivo das rodas matinais e por adesão espontânea ao trabalho. “Informação já temos demais. O objetivo aqui é fortalecer os laços de afetividade e utilizar ferramentas sócio-ambientais para vivenciar”, explica Thomas Lazador, integrante da Aldeia (mestre em Gestão de Políticas Ambientais, mas se apresenta como educador).
Com técnicas de bioconstrução o povo da Aldeia montou tendas (uma delas com telhado verde), banheiro-seco, estação de tratamento para águas residuais (pia de cozinha), composteira para os resíduos orgânicos, construiu um fogão e um forno de barro de baixo consumo de lenha. Paradoxos
Falou-se tanto em todas as edições dos FSM na importância do cuidado com as crianças. A Aldeia pode ter tido o único espaço – Espaço das Abelhinhas - que se preocupou em cuidar das crianças para que os pais participassem de outras atividades. Não só cuidar - passear, brincar, tomar banho de piscina de lama, decorar o fogão de barro com botões .... “Nestes poucos dias, minha filha de dois anos já começa a entender sobre a importância de incluir o outro – o que tu acha mamãe/pergunta mamãe o que eu acho. É muito lindo”, conta Sieli Pontalti, uma das cuidadoras.
Nos 10 Anos de Fórum falou-se muito em Economia Solidária. Na Aldeia todos os dias às 18 horas é montada a tenda de trocas com de tudo um pouco, inclusive de sementes crioulas para garantir a segurança alimentar. Mais que troca, propõe-se um exercício de desapego para o reuso, reciclagem, redução de consumo.
Na Aldeia da PAZ ninguém passa fome. A cozinha comunitária serve diariamente cerca de 900 refeições da culinária vegana (sem produtos de origem animal). A compra dos insumos é feita com os recursos do “Chapéu Mágico”, que roda livremente para arrecadar. Dê o que dê.
Na Aldeia da Paz não se lamenta sobre o monopólio da grande mídia. Criou-se uma Produtora Cultural Colaborativa que ficou responsável pela rádio do Acampamento da Juventude - notícias, entrevistas, músicas... Quem passar pela produtora se depara com a placa : “Oferecemos gravação de áudio, vídeo, videoclip, páginas na internet, criação de logotipos, folders”. A produção é de voluntários. A veiculação é feita em sites, rádios web, fanzine e redes sociais na internet, acabando por atingir milhares (sem conta) de pessoas. Um público que pode ser até maior que o das grandes mídias convencionais. Um dos idealizadores é Pedro Jatobá, assessor de cultura digital de uma ong voltada para a sustentabilidade dos artistas. É dele que vem o que deveria ser o resumo prático dos 10 anos do FSM: “Queremos que tudo isto aqui da Aldeia da PAZ se torne verdade lá fora.”
A Aldeia da Paz encerra as atividades domingo com o compromisso de deixar o seu território mais asseado e organizado do que foi recebido. Esta é a quinta participação da Aldeia da Paz no FSM, a mais organizada, mas também pode ser a última. A idéia agora é plantar a bandeira da Paz e acender o fogo sagrado em algum lugar do país, de forma permanente. A bandeira da Paz foi trazida desde o México pelo peregrino Oscar Tinajero para o FSM em 2001. Ele viaja com a bandeira desde 1996, quando a recebeu no encontro Diálogos de Paz, promovido pelo Exército Zapatista. Segundo ele, “os três círculos significam a integração da ciência, arte e espiritualidade, bem como o físico, o emocional e o mental como elementos formadores de uma só cultura planetária.” A bandeira é reconhecida pela ONU e está presente em vários países. Considerado um ícone da Aldeia da PAZ, Oscar é sintético ao avaliar o FSM: “falar é bom para abrir a consciência, mas faz falta o passo seguinte. A verdadeira mudança vem de si mesmo e só cada um pode fazê-la. A Aldeia está nos ensinando o caminho do arco-iris”.


Abaixo fotos da construção do fogão de barro utilizado na Cozinha Vegana da Aldeia da Paz 2010 em Lomba Grande/RS



Fotos de Eduardo Sejanes Cezimbra

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