Este Espaço tem por objetivo compartilhar leituras, falar de encontros, educação, eco-feminismo, parto humanizado, cultura de paz, espiritualidade, dança... de movimentos que o Universo faz pelos quais nos encontramos.
Seja bem vindo, a entrada é franca e amiga... mas chegue com o coração aberto, senão, de nada vai adiantar estar aqui!

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13 de out. de 2010

Crianças Guarani

Anjo das Crianças ...

As Kyringué (Crianças) são consideradas pelos Mbyá Guarani, veículo de poder e transformação. Representam sabedoria, a vontade dos deuses. Ter filhos significa que as divindades continuam dispostas a manter as relações com os seres deste mundo, fortalecendo os Mbyá na busca pela Terra Sem Males.Esta busa se faz concretamente pelos constantes deslocamentos das pessoas Mbyá em direção ao leste, tendo como limite a região litorânea Serra do Mar/Mata Atlântica. Considerada a morada dos antepassados e componente intrínseco da Cultura Mbyá, a região das Matas é de onde a população Indígena tira componentes fundamentais de sua sustentabilidade simbólica e material.A caminhada à Terra Sem Males decorre da produção de um corpo socialmente disposto à Mborayú(reciprocidade), e constituido por este sentimento de um amor maior que surge quando se tem filhos.O nhembojeroviá, o saber/sentimento de como se comunicar com a natureza, o respeito profundo, se aprende quando se tem filhos.A vinda de uma criança(mitã) independe dos Pais.Ela nasce por desejo das Divindades, com objetivos,para ensinar,para fazerem os adultos pensarem mais.Ter filhos, legitima a pessoa Mbyá para realizar tarefas de liderança ou criativas,como coordenar um grupo de cantos e danças e criar com sua ajuda novos cantos..

Tenho esperança no anjo das crianças (Nhambojeroviá Kyryngué nhe'e)

Para alcançar a Terra sem Males (Yvy ju mirim jaupity aguã)

O fruto da Terra vai gerar alegria e harmonia(Jaupity aguã)

Não somente Hoje, mas sempre, estes "SÃO OS ANJOS" QUE NOS MOSTRAM OS CAMINHOS...ATRAVÉS DE SUA INOCENTE FORMA DE SER, NATURALMENTE..SER..SEM BUSCAR TORNAR-SE..

À Todas as CRIANÇAS de ontem hoje e sempre..UM NOVO AMANHECER DE PAZ! Pyaguapy e Mborayú

Fonte:
Recebido de Liana Utinguassú
Livro Yvy Poty Yva'á (Flores e Frutos da Terra) Mbyá Guarani


Visite Yvy Kuraxo - Coração da Terra em: http://yvykuraxo.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

As crianças
Por Neide Rigo  

Qualquer goiabeirinha caída vira brinqueco coletivo

Sabem aquelas crianças que fazem birra, berram, correm, tropeçam na sua canela, gritam porque querem, esperneiam porque não querem, tomam o brinquedo do amiguinho, dizem a todo momento é meu, eu quero, não vou, não dou? E aquelas mães estressadas gritando com os filhos, tentando dominar os tiraninhos? Estas situações entre os Guarani não existem. Eles falam baixo, não gritam com as crianças (não ouvi um só grito de adulto ou criança e ninguém fica tagarelando um com o outro a todo momento - adultos passam horas sentados um do lado do outro sem conversar). As crianças são tranqüilas, meigas, alegres, resolvidas, generosas (em vários momentos vi crianças dando um pedaço do que estava comendo para outra que nem pediu nada). Todos os adultos cuidam das crianças que parecem não ter um pai ou uma mãe - mas, vários ao mesmo tempo. Tive a impressão de que saem do peito para o páteo: caem, se levantam, brincam e comem com a maior autonomia e respeito pelos adultos. São as crianças mais educadas que já vi até hoje.
Este pequeno não desgrudou do violãozinho durante o tempo em que estivemos lá.
 
A música tem presença forte entre os Guarani. O canto é presente de Nhanderu (o Deus maior) e pode ser recebido pelas crianças, espíritos puros e sem maldade. Eles são enviados também por revelações a qualquer índio. Mas, em todos os casos, o canto pertence à aldeia e não à pessoa que o recebeu. Às vezes, no páteo, ouve-se um coral de 50 vozes e você acha que pode haver por ali um aparelho de som potente. Quando vai conferir, são 3 ou 4 meninas cantando em coro e fazendo passinhos, com acompanhamento de corda e percussão. É de chorar.

O coro desta aldeia talvez vá para o próximo Terra Madre, na Itália. Se quiser conhecer a música celestial destes Guarani, compre o cd aqui. É o que toca agora enquanto escrevo.
Para saber mais sobre os Guarani Mbya, veja este site.


Fonte: Come-se

19 de ago. de 2010

Educação Intuitiva

OS OITO PRINCÍPIOS DA DUCAÇÃO INTUITIVA

1. Preparação para o parto

A ligação precoce com o bebé começa com a preparação pré-natal e a participação atenta e activa no parto. É possível tomar decisões fundamentadas sobre o tipo de parto que deseja e que irá ajudar a criar uma experiência positiva para si e para o seu bebé.

COMPROMETA-SE A MANTER UMA RELAÇÃO FORTE COM O SEU COMPANHEIRO: Discutam antecipadamente a filosofia de educação. Independentemente de os pais viverem juntos, é muito importante que, ao tomar as decisões, as necessidades e bem-estar do bebé estejam em primeiro lugar.

EDUCAÇÃO PRÉ-CONCEPÇÃO: Sempre que possível, prepare-se mental, física e espiritualmente antes de conceber uma criança. Leia, faça perguntas e tome muito cuidado consigo, seguindo uma dieta nutritiva e fazendo exercício regularmente.

GRAVIDEZ: Crie um ambiente uterino pacífico evitando o stress. Os sentimentos e experiências da mãe afectam o bebé em desenvolvimento.

DECIDA-SE POR UMA EDUCAÇÃO CONSCIENCIOSA: Aprenda e compreenda o que é ter um filho.

ESTEJA ATENTA E ACTIVA DURANTE O PARTO DO SEU BÉBÉ: Prepare-se, aprenda o que esperar e compreenda as opções que tem à sua disposição. Em geral, quanto menos invasivo for o parto, melhor para a mãe e o bebé.

PARTICIPE EM AULAS DE PREPARAÇÃO PARA O PARTO E DE AMAMENTAÇÃO: São importantes para ajudar os pais a tomar decisões fundamentadas.

2. Reacção emocional

Compreender e responder de forma sensível às necessidades emocionais do seu bebé é a pedra basilar da Educação Intuitiva. Lembre-se de que chorar é a forma do seu bebé lhe dizer que está perturbado/a. Criar um laço ou ligação forte como seu bebé é mais do que simplesmente cuidar das necessidades físicas do bebé; inclui também passar tempo agradável interagindo com o seu bebé ou criança diariamente. O processo de ligação é consideravelmente potenciado quando os pais iniciam a brincadeira e interacções animadas.

Não tenha receio de se apaixonar pelo seu bebé.

As origens e motivos comuns para o choro incluem fome, cansaço, desconforto e solidão.

Outros motivos para o choro são:
1. Stress devido a excesso de estimulação
2. Sentir o stress da mãe
3. Necessidade de que lhe peguem ao colo ou o deitem
4. Necessidade de contacto pele contra pele para se sentir seguro
5. Gases e/ou cólicas
6. “Muito necessitado” é um termo utilizado para descrever o temperamento de bebés que estão frequentemente irrequietos. Estes bebés podem necessitar de muito contacto físico próximo, movimento ou atenção afectuosa. Podem também ser sensíveis a um certo alimento sólido ou alimentos ingeridos pela mãe.

3. Amamente o seu bebé

A amamentação satisfaz as necessidades do bebé relativamente à melhor nutrição possível e contacto físico. A amamentação traz muitos benefícios para o bebé, a mãe e a sociedade, e é a forma mais natural de satisfazer a maior parte das necessidades físicas do bebé. Embora a amamentação seja a forma ideal de alimentar um bebé, os pais que não amamentam podem mesmo assim praticar a Educação Intuitiva. Encorajamos os pais que alimentam o bebé com biberão a adoptar comportamentos de "amamentação". Por outras palavras, pegue no seu bebé, fale-lhe e mude de posição enquanto dá o biberão. Evite a tentação de deixar o bebé só com o biberão, dado que o seu bebé irá beneficiar bastante com o seu contacto e colo.

Vantagens para a mãe e família:
1. Poupa dinheiro - o suficiente durante um ano para comprar um grande electrodoméstico
2. Poupa tempo - não há leite para preparar ou biberões para lavar
3. Prático em casa e em viagens
4. Activa hormonas maternas que promovem comportamentos de ligação e acalmam a mãe
5. Ajuda a mãe a descansar mais
6. Ajuda a proteger a mãe contra o cancro da mama

Vantagens para o bebé:
1. Concebido biologicamente para o bebé humano, contém os nutrientes necessários e na quantidade adequada; é de fácil digestão
2. Confere imunidade a certas doenças e viroses
3. Protege contra alguns tipos de cancro, de acordo com as mais recentes investigações
4. Mantém o bebé próximo da mãe e oferece conforto
5. Ajuda a fortalecer os maxilares, olhos e a formação dos dentes
6. Menor probabilidade de desenvolvimento de alergias
· Evite reger-se pelo relógio ou calendário. Siga as pistas do seu bebé em vez do relógio ou do calendário.
· O desmame é um processo mútuo determinado pela preparação do bebé e da mãe (“Desmame em cooperação”). O código da Organização Mundial de Saúde (O.M.S.) recomenda a amamentação até aos dois anos de idade, no mínimo.

Se der o biberão, adopte comportamentos de amamentação:
1. Pegue no seu bebé quando lhe der o biberão, nunca o deixe a só com biberão.
2. Estabeleça um bom contacto visual nos momentos em que o seu bebé está atento e interessado.
3. Mude de posição de um lado para o outro; isto ajuda a fortalecer os olhos do bebé.
4. Fale ao bebé de forma carinhosa nos momentos em que lhe dá o biberão.

4. Transportar o bebé ao colo; o contacto afectivo

Transportar o bebé pegando-o ao colo ou utilizando porta-bebés de materiais suaves que mantêm o bebé próximo satisfaz as necessidades do bebé quanto a contacto físico, segurança, estimulação e movimento, que promovem o desenvolvimento óptimo do cérebro. Os bebés a quem é dado muito colo choram menos. O contacto afectivo através da massagem do bebé é uma outra forma excelente de acalmar o bebé e promover o seu desenvolvimento.

· Dar colo ao bebé ajuda a satisfazer as necessidades do bebé de proximidade, contacto e afecto.
· Dar colo ao bebé promove e reforça a ligação emocional dos pais com o bebé.
· O movimento que resulta naturalmente de transportar o bebé ao colo estimula o seu desenvolvimento neurológico.
· Os bebés choram menos quando transportados ao colo.
· Pegar no bebé ao colo ajuda a regular a sua temperatura e ritmo cardíaco.
· O bebé sente-se mais seguro.

Se não transportar o bebé ao colo, esteja atenta:
1. Dê colo ao seu bebé sempre que possível (especialmente se dá biberão).
2. Evite a utilização excessiva de dispositivos para bebés (baloiços, chupetas, baloiços, porta-bebés de plástico).
· Transportar o bebé ao colo facilita as saídas e viagens.
· Os bebés que recebem contacto afectivo através de massagem, colo e outras formas de contacto físico afectuoso ganham peso mais rapidamente, são mais calmos e têm um melhor desenvolvimento intelectual e motor.

5. Partilhar o sono

É importante ser receptivo às necessidades nocturnas do bebé. A API recomenda que se mantenha o bebé numa proximidade íntima, num ambiente de sono seguro. Em muitas culturas é considerado normal e espera-se dos pais que durmam com os seus filhos. Investigações recentes demonstraram que alguns dos benefícios incluem melhor qualidade de sono para as mães e risco reduzido de SMSI (síndrome da morte súbita infantil) para os bebés. A partilha segura da cama inclui um colchão segure e firme e pais que não consomem drogas ou álcool e que não fumam próximo do bebé. Se os pais não se sentirem confortáveis com a ideia de partilhar a cama, lembre-se que a chave é a proximidade íntima e receptividade às necessidades nocturnas do bebé.

A partilha segura da cama* requer:
1. Não fumar junto do bebé
2. Não consumir drogas ou álcool
3. Um colchão firme sem roupas de cama fofas nem animais de peluche
4. Utilizar medidas de segurança tais como protecções na cama ou a colocação do bebé num local seguro na cama da família
5. Evitar espaços de qualquer tipo, por exemplo, entre o colchão e a estrutura da cama ou guias laterais que podem facilmente deslizar para fora do colchão
6. Nunca deixar o bebé numa cama de adulto sem supervisão
7. Nunca colocar o bebé a dormir num sofá ou cadeira.

* Para obter mais informações sobre os regulamentos para um sono partilhado seguro, visite o nosso website em www.attachmentparenting.org

Vantagens para o bebé:
1. Estudos indicam que as culturas em que os pais dormem com os bebés têm uma incidência reduzida de síndrome de morte súbita infantil (SMSI).
2. Existem mais períodos de sono leve benéficos para criar um ritmo cardíaco estável e padrões respiratórios estáveis.
3. A amamentação é mais bem estabelecida através de mamadas frequentes, que são facilitadas através da partilha da cama.
4. Os bebés sentem-se quentes e seguros, por isso choram menos.

Vantagens para os pais:
1. Mais sono
2. Melhora a duração e quantidade das mamadas
3. A mãe preocupa-se menos com o seu bebé.
4. Os pais desenvolvem uma ligação mais estreita com o bebé.

Se partilhar a cama não resulta para si ou a sua família:
1. Tente outras formas de dormir, especialmente se existirem irmãos mais velhos:
a) Alcofa junto à cama
b) Lado-a-lado: tire um lado da cama de grades e coloque a cama em segurança junto à cama dos pais
c) Colchão, futon ou saco-cama no chão para os filhos mais velhos

2. Estabeleça uma rotina agradável para ir para a cama:
a) Reduza a estimulação desligando a televisão; antes de ir para a cama evite dar ao bebé/criança bebidas ou alimentos que contêm cafeína, tais como leite com chocolate, refrigerantes, chá ou chocolates.
b) Ponha música suave.
c) Dê um banho quente ao bebé/criança.
d) Embale, leia e/ou cante para o seu bebé/criança.

3. As crianças pequenas que têm a sua própria cama vão muitas vezes para a cama mais voluntariamente quando os pais se deitam com elas na sua cama até ficarem bastante sonolentas ou adormecerem. Muitos pais descobriram que os seus filhos rapidamente ultrapassam esta necessidade e acabam por ir para a cama sozinhos sem problemas.

6. Evite separações frequentes ou prolongadas

Os bebés possuem uma necessidade intensa pela presença física de pais afectuosos e receptivos. Através dos cuidados diários e interacções afectuosas formam-se fortes laços entre pais e criança. As separações frequentes ou prolongadas podem interferir com o desenvolvimento de ligações seguras. Tente manter as separações ao mínimo com um bebé pequeno que ainda não fale, e seja receptivo às necessidades do bebé relativamente à sua presença física. As separações longas podem provocar fases de desgosto e que podem afectar a ligação do bebé a si. Se as separações forem inevitáveis devido à sua situação, ajude o seu filho a adaptar-se a elas de forma gradual. Evite a "rotatividade de amas"; a continuidade de cuidados com uma ama constante e afectuosa é crucial. Se trabalha, pode exercer a Educação Intuitiva quando estiver em casa para ajudar a estabelecer novamente uma ligação ao seu bebé.

· As separações frequentes e prolongadas podem prejudicar o processo de ligação e podem ter efeitos para toda a vida no desenvolvimento psicológico e emocional a longo-prazo do bebé.

· Se as separações forem inevitáveis, é extremamente importante haver uma continuidade de cuidados com uma ama constante e afectuosa. Se tiver de deixar o bebé, assegure-se de que a ama faz das necessidades do seu bebé a sua prioridade máxima. Explique-lhe como pretende que ela trate e cuide do bebé. Faça a transição com bastante antecedência de modo a que seja um processo gradual e confortável para o bebé.

· A “rotatividade de amas” - a troca frequente de amas - pode ser muito prejudicial ao processo de ligação.

· Quando voltar a estar com o seu bebé, rodeie-o de amor, atenção e afecto. Isto ajuda o seu bebé a sentir o restabelecimento da ligação, o que fortalece a sua relação.

7. Pratique a disciplina positiva

À medida que uma criança cresce é necessário estabelecer fronteiras e limites. Disciplina positiva, métodos não-violentos e apoio afectuoso promovem o desenvolvimento do auto-controlo e empatia em relação aos outros.

O que significa a palavra “disciplina”? Deriva da palavra “discípulo”, que significa aquele que segue os ensinamentos do seu mestre. Disciplinar é ensinar.

O que é a disciplina positiva? A disciplina positiva começa com a compreensão de que o seu objectivo a longo-prazo é ensinar o seu filho a tomar decisões acertadas como criança e como adulto. Aprendem seguindo bons exemplos e modelos. Transforme-se no tipo de pessoa que quer que o seu filho seja.

Como é que a Educação Intuitiva ajuda no processo de disciplina?

A criança que é produto da Educação Intuitiva aprende que as suas necessidades serão satisfeitas de forma consistente e previsível. A criança aprende a confiar. A confiança é a base da autoridade, e uma figura de autoridade na qual se confia disciplina de forma mais eficaz.
William Sears, MD

1. A Educação Intuitiva constrói alicerces fortes. Uma criança que é criada com amor, empatia e afecto aprende a estabelecer fortes laços de confiança com os seus pais. Uma criança que tem uma forte ligação de confiança é mais fácil de disciplinar.

2. Os pais são capazes de sentir empatia pela criança e compreender o seu ponto de vista.
· É útil aprender as fases do desenvolvimento da criança para compreender o que é um comportamento normal, adequado do ponto de vista do desenvolvimento, de modo a poder reagir de forma adequada. Estes marcos do desenvolvimento incluem:
1. nascimento até aos 6 meses
2. 6 meses até ao ano
3. 1 ano até aos 3 anos
4. 4-5 anos
5. pré-adolescente
6. adolescente
7. adolescência

(O Gesell Institute of Human Development publicou uma série de livros para pais nas diferentes fases do desenvolvimento da criança escritos pelos médicos Ames e Ilg tais como Your One Year Old (A criança de um ano), Your Two Year Old (A criança de dois anos), etc. Muitos pais consideraram estes livros extremamente úteis. Visite a nossa loja e encomende estes e outros livros através do nosso website!)

8. Mantenha o equilíbrio na sua família

O equilíbrio é a chave para evitar o "esgotamento dos pais" e pode ser alcançado cuidando de si através de exercício, descanso e alimentação saudável. As necessidades de um bebé são intensas e imediatas, mas é possível alcançar o equilíbrio na satisfação das necessidades do bebé, assim como das necessidades de outros membros da família.

· Independentemente de ser casado com vários filhos ou pai solteiro com um único filho, é importante recordar que encontrar o equilíbrio é a chave para uma vida familiar saudável. É importante que os pais não se isolem. Devem procurar sistemas de apoio dentro das suas comunidades. Isto pode ser alcançado criando um tipo de família alargada de amigos com ideias semelhantes ou participando em grupos de apoio de pais da API, que oferecem não só apoio como também a oportunidade para pais mais recentes de serem orientados por pais mais experientes.

· Ser um pai recente muitas vezes exige ajudar a mãe a desenvolver uma relação com o seu recém-nascido. Durante os primeiros meses de vida, o bebé irá frequentemente ser a única preocupação da mãe. Certifique-se de que o pai é incluído nas actividades diárias do bebé. O apoio dos pais ajuda as mães a tornar-se mais confiantes e competentes no seu papel de mãe, e a ser bem sucedidas na amamentação.

· É fácil sentir-se "esgotada" e "exausta" pelas exigências da maternidade. Os primeiros meses de vida do bebé podem ser muito intensos e consumir muito tempo. Tentem ser pacientes e sensíveis em relação às necessidades um do outro.

· Seja criativo para encontrar formas de passar tempo com o seu cônjuge/companheiro sem comprometer as necessidades do seu bebé. Jantares à luz de velas ou um piquenique na sala de estar podem ser divertidos e ajudam os casais a estabelecer novamente uma ligação.

· Tenha um amigo, familiar ou ajudante (um adolescente em que possa confiar), que o bebé conheça, que venha brincar com ele e entretê-lo, enquanto os pais têm algum tempo sossegado noutro ponto da casa. Leve-os consigo se sair.

· Esta pessoa pode ajudar com o bebé, mas o bebé será confortado pela proximidade dos pais.

· Compreenda que nos primeiros anos as necessidades do seu filho são mais intensas que nunca, e que “também isto passará”.

· Todos os pais necessitam de apoio! Por vezes pode ser difícil aos pais encontrar o apoio de que necessitam. O aconselhamento profissional pode ser bastante benéfico para ajudar famílias a voltar a encontrar o equilíbrio e para estabelecer uma ligação a recursos ou outros serviços na comunidade.


Fonte: Naturkinda

13 de jul. de 2010

Nascemos com tudo o que é preciso para viver

Olhe que absurdo as pessoas me perguntam: como amar, como dançar, como meditar? Como viver? Perguntas absurdas... mas elas mostram a pobreza, a pobreza interior do ser humano.

Ele tem adiado tudo e, pouco a pouco, se esquecido.

Toda criança sabe amar, e toda criança sabe dançar, e toda criança sabe viver. Toda criança vem ao mundo completa, com tudo preparado. Ela só precisa começar a viver.

Você já reparou? Se você está chorando e uma criança pequena vê, ela se aproxima de você. Não sabe dizer muita coisa, não sabe convencer você a parar de chorar, mas ela põe a mão sobre a sua. Já sentiu o toque? Nunca ninguém mais o tocará do mesmo jeito, como uma criança — ela sabe tocar.

Posteriormente, as pessoas ficam frias, duras. Elas tocam, mas nada flui das mãos delas. Quando a criança toca você — a ternura da mão dela, a suavidade, a mensagem... ela derrama ali todo o seu ser.

Todas as pessoas nasceram com tudo o que é preciso para viver. E quanto mais você vive mais é capaz de viver. Essa é a recompensa. Quanto menos vive, menos capaz você é. Esse é o castigo.



Osho, em "Saúde Emocional: Transforme o Medo, a Raiva e o Ciúme em Energia Criativa"

31 de mai. de 2010

Certas mamadeiras de plástico podem fazer mal à saúde do bebê

Pesquisas recentes revelam que um tipo de plástico muito usado em mamadeiras pode provocar doenças.

Atenção, mães e pais! Se vocês têm filhos que usam mamadeiras, fiquem de olho nesta reportagem: pesquisas recentes revelam que um tipo de plástico muito usado em mamadeiras pode provocar doenças. Quem explica é a repórter Flávia Cintra, que estreia neste domingo (16), no Fantástico.

Quem é mãe sabe: diante de tantas opções, como escolhe a mamadeira do seu filho? “Pela cor, porque é menininho. Eu sempre compro azul”, diz uma jovem. "Eu procuro alguma semelhante com o bico do seio", comenta outra. "Eu gosto de uma que abre em baixo, porque aí eu lavo, coloco para esterilizar", diz mais uma.

Mamadeira de plástico ou de vidro? "Eu compro de plástico", cita outra mãe. "Prefiro mamadeira de vidro", comenta mais uma.

A mamadeira de plástico é motivo de preocupação em vários países. Pesquisas mostram que, em determinadas condições, o plástico pode liberar uma substância prejudicial às crianças. A substância é o bisfenol A, também conhecida como BPA.
No começo do ano, o departamento americano que controla remédios e comidas passou a orientar as famílias a tomarem cuidado com o plástico na preparação da alimentação infantil. Essa notícia pegou muitas mães de surpresa, gerando muitas dúvidas e preocupações. Por isso, o Fantástico reuniu três mães – a Andréia, a Rosana e a Mônica – com o doutor Anthony Wong.
Quanto mais nova for a mamadeira, maior a quantidade de bisfenol ela desprende? "Sim. Quanto mais nova a mamadeira. Se essa mamadeira for de plástico e conter bisfenol A, certamente quanto mais nova a mamadeira maior quantidade dessa substância”, explica Wong.
Assim como nas mamadeiras, as chupetas fabricadas com BPA ou bisfenol também podem fazer mal à saúde. “Existem sete classificações internacionais para o plástico. O 1 a 6 não têm BPA. O maior risco é grupo 7”, diz Wong.

Dicas para as mães
Preste atenção: o número 7, que indica presença de bisfenol , normalmente aparece dentro de um triângulo, na parte de baixo de produto. Anote outras dicas importantes: pratos e potes plásticos também podem conter bisfenol A. Por isso, aqueça os alimentos em recipientes de vidro ou cerâmica. Não ferva nem lave a mamadeira com água quente. Basta detergente e água fria.
As indústrias estão proibidas de fabricar mamadeiras com esse tipo de substância no Canadá, Costa Rica e Dinamarca. Na França, o Senado aprovou a proibição em caráter provisório. Nos Estados Unidos, o bisfenol A foi proibido nos estados do Illinois e em Minnesota. Outros estados americanos debatem o assunto.
"Existe sim relação entre o BPA e câncer", afirma Sarah Vogel, doutora em química pela Universidade de Columbia. "Quanto mais jovem, maior o grau de exposição", completa.
As pesquisas sobre os efeitos do bisfenol em seres humanos ainda não são conclusivas e dependem de novos estudos, mas os dois médicos ouvidos pelo Fantástico afirmaram que não há motivo para pânico.
"Eu acredito que não é um motivo de alarme para as pessoas, mas simplesmente uma forma de você ficar atento. Você esquenta num lugar passa para o outro e acabou”, afirma Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição Atmosférica da Universidade de São Paulo (USP).
“A prática de aquecer o leite em outro frasco, que não seja de plástico, passar para a mamadeira e dar imediatamente para a criança ameniza o problema?”, pergunta uma mãe.
“Sem dúvida. Você deixa esfriar um pouquinho e depois transferir para a mamadeira numa temperatura ambiente, o risco de eluição, a saída do BPA do plástico para o leite ou para o líquido lá dentro, é praticamente zero”, explica Wong.

Uma última dica dos médicos: amamentar no peito é sempre melhor do que qualquer tipo de mamadeira.

"Se possível, até 1 ano de idade. Exatamente porque o leite materno sai diretamente, realmente está isento não só de bisfenol, como de um monte de outros contaminantes. Além de fornecer à criança anticorpos que protegem contra doenças tão graves da infância”, conclui o médico.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que, no Brasil, o limite é de 0,6 miligrama de bisfenol para cada quilo de plástico. Em nota enviada ao Fantástico, a Anvisa diz que acompanha a discussão internacional sobre o bisfenol, e que considera seguro para o ser humano o limite vigente no país para essa substância.

Assista o vídeo na página do Fantástico.

Quem quiser ter mais dados acesse o site www.nossofuturoroubado.com.br e vá na busca interna dele e coloque as palavras "BPA" ou "Bisfenol A". Terá a visão do que corre pelo mundo a respeito desta molécula (que não está só nas mamadeiras e bicos, mas também, em tudo o que tem policarbonato e epoxi).

3 de fev. de 2010

O preço de um filho

"Uma ONG calculou recentemente o custo para se criar um filho, do nascimento aos 18 anos, e chegou a R$ 160.140,00 para uma família de classe média. O valor é chocante! E esse valor não cobra a formação escolar. Mas R$ 160.140,00 não é tão ruim assim se você parcelar. Ele se traduz em:

R$ 8.896,66 por ano;
R$ 741,36 por mês;
R$ 171,08 por semana e
meros R$ 24,24 por dia.

Ou seja, cerca de um real por hora. Mas o que você ganha gastando R$ 160.140,00?

  • Direito a dar o nome
  • Olhares de Deus todos os dias
  • Risadinhas debaixo das cobertas todas as noites
  • Mais amor do que seu coração pode suportar
  • Beijos jogados no ar e abraços carinhosos
  • Infinitas admirações por pedras, formigas, nuvens, biscoitos, cachorros, gatos, etc.
  • Uma mão para segurar, normalmente cheia de geléia e de chocolate
  • Um parceiro para fazer bolhas de sabão, soltar pipas
  • Alguém para fazer você rir como bobo, não importa o que seu chefe tenha dito ou como as bolsas de valores se comportaram nesse dia

Por R$ 160.140,00 você não precisará crescer nunca. Você deve:

  • Ter os dedos sujos de tinta
  • Modelar objetos
  • Brincar de esconde-esconde
  • Ouvir música da Xuxa
  • Nunca deixar de acreditar em Papai Noel

Você terá desculpa para:

  • Continuar a ler as aventuras do Ursinho Puff
  • Assistir desenhos animados aos sábados pela manhã
  • Assistir filmes da Disney
  • Fazer pedidos às estrelas
  • Você recebe molduras de arco-iris, de corações ou flores sob imãs de geladeira, conjunto de mãos impressas em argila para o Dia das Mães, e cartões com letras viradas para o Dia dos Pais

Por R$ 160.140,00 não há outro jeito mais fácil de ficar famoso.

Você é um herói apenas por:

  • Recuperar uma pipa no telhado da garagem
  • Retirar as rodinhas da bicicleta
  • Remover uma farpa do pé
  • Encher uma piscina de plástico
  • Fazer bola de chiclete sem estourar
  • Ir a parques de diversões e voltar exausto

Você tem lugar na primeira-fila da História como testemunha:

  • Dos primeiros passos
  • Das primeiras palavras
  • Do primeiro sutiã
  • Do primeiro namoro
  • Da primeira vez atrás do volante de um carro

Você fica imortal. Você tem um novo braço na sua árvore genealógica e, se tiver sorte, uma longa lista de membros no seu obituário, chamados netos e bisnetos. Você recebe formação em psicologia, enfermagem, justiça criminal, comunicação e sexualidade humana que nenhuma faculdade pode lhe dar.

Aos olhos de uma criança, você localiza-se logo abaixo de Deus. Por R$ 160.140,00 você tem poder para:

  • Curar um choro
  • Espantar os monstros que estão debaixo da cama
  • Remendar um coração partido
  • Policiar uma festa sonolenta
  • Cultivá-los sempre e amá-los sem limites

E assim, algum dia eles, como você, amarão sem medir os custos. É um excelente negócio por este preço.

Ame e curta seus filhos, netos e bisnetos. É o melhor investimento que você fará na vida. Por R$ 160.140,00 você poderia:

  • Comprar um carro de luxo
  • Comprar uma linda casa
  • Comprar um lindo iate

Mas nada se equivale ao preço de um filho."

(desconheço a autoria)

8 de jan. de 2010

O Mundo nas mãos de uma criança


Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava decidido a encontrar meios de minimiza-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas, com teses, colocando problemas, testando hipóteses, com o intuito de chegar a alguma conclusão.
Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar.
O cientista nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro lugar.
Vendo que seria impossível de impedi-lo, o pai procurou algo que pudesse entreter o filho com o objectivo de distrair a sua atenção.
Foi quando, de repente, deparou-se com o mapa do mundo, algo que ele necessitava!
Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo:
- Olha filho, vou dar-te o mundo para ver se o consegues arranjar. Aqui tens o mundo todo feito em pedaços. Agora vê se o consegues consertá-lo tal como ele deve ficar, bem certinho! Mas tens que o fazer tudo sozinho.
Calculando que a criança levaria dias para recompor o mapa e assim deixá-lo trabalhar em paz.
Passadas algumas horas, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:
- Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho sozinho!
A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível, na sua idade, ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista, por cima dos óculos que usava, levantou os olhos das suas anotações e cálculos, certo de que iria ver um trabalho digno de uma criança.
Para sua surpresa, o mapa estava completo.
Todos os pedaços de papel tinham sido colocados e colados nos devidos lugares. Como seria possível? Como é que a criança teria sido capaz?
- Parabéns! – disse o pai – Mas, filho, como conseguiste se tu não sabias como era o mundo?

- Pai! – disse o filho - eu não sabia como era o mundo, mas quando o pai tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando consegui arranjar o homem, virei a folha e descobri que havia arranjado também o mundo.

Sei que esta história é antiga, mas às vezes é preciso contar histórias antigas, porque nos esquecemos de seus ensinamentos. Esta mensagem nos lembra que diante de grandes problemas basta termos olhos de criança. A criança traz com ela a simplicidade, a leveza, a descontração... e uma enorme sabedoria em seu coração. Se você estiver com problemas que tal escutar uma criança?! Ou consultar a sua criança interna!

Bons sonhos.

20 de set. de 2009

A que preço estamos negociando o futuro da infância?

Publicado em 15/09/2009
Por Maria Helena Masquetti
no site: http://www.alana.org.br/

Aconteceu mais uma vez. O Kids & Tweens Power Brasil 2009, a maior conferência já realizada no país sobre o poder de consumo de crianças e adolescentes, foi realizado entre 25 e 27 de agosto. Sem autorização explícita da sociedade, os mais gabaritados profissionais de comunicação se reuniram novamente para dissecar o modo de ser, os gostos, os anseios, os temores e os questionamentos de nossas crianças e adolescentes. O objetivo, como de hábito, é utilizarem-se, em seguida, dessas informações a fim de desenvolverem ações para fidelizar o público alvo a produtos e marcas, não só a curto como a longo prazo. Um jogo desigual, no qual o negócio é bom apenas para uma das partes face à incapacidade das crianças de julgar o caráter persuasivo das mensagens comerciais. Embora resistentes à ideia de não mais anunciarem para as crianças, a novidade no evento foi a discussão preocupada (finalmente) com os aspectos legais da publicidade para crianças, em função da forte pressão social por regulamentações.
É visível o abismo entre o evento e o que diz o primeiro promotor de Justiça de Defesa do Consumidor do Ministério Público de São Paulo, João Lopes, em entrevista ao documentário de Estela Renner Criança, a alma do negócio: "Se a criança, pela lei, não pode comprar nada por ser considerada incapaz pela legislação, como se admitir uma mensagem publicitária dirigida a ela, e muito menos uma peça publicitária que seja persuasiva?”.
Além dos projetos de lei pela proibição da publicidade dirigida à infância em tramitação no Congresso, as regras e legislações sobre as quais discutiram são as que tratam dos direitos das crianças, seja a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a convenção da ONU ou o próprio Código de Defesa do Consumidor. Cada um desses diplomas legais, a seu modo, assegura que a criança deve ser colocada a salvo de toda forma de negligência; que o direito ao respeito consiste na inviolabilidade de sua integridade física, psíquica e moral; que ela deve ser protegida contra a exploração econômica; que é proibida toda publicidade que se aproveite de sua deficiência de julgamento e experiência. No entanto, a existência de um evento de marketing para crianças, por si só, significa que estas leis permanecem carentes de observância e de um único e claro comando legal que as englobe.
Acreditar no que ouve e vê é natural da criança e “viajar” na fantasia é essencial para o desenvolvimento de sua criatividade e para a construção de sua identidade. Infelizmente, é desta matéria prima que o marketing infantil se alimenta. Em lugar de honrar a infância, a sedução comercial invalida nas crianças seus verdadeiros valores e as obriga a renunciar a genuinidade diante da ameaça de exclusão de seus grupos: “Todo mundo está usando”, “E você, o que está esperando?”
Entre os temas discutidos no evento estiveram: “O encurtamento da infância e suas implicações no consumo”; “Como fidelizar e conquistar novos clientes utilizando o marketing de relacionamento dentro das escolas de educação básica” e “O público infantil como um dos segmentos mais promissores, especialmente para o mercado de cosméticos”. Pela naturalidade com que costumam argumentar que estão apenas indo ao encontro daquilo que o público deseja, parecem não admitir que a maioria dos desejos de consumo hoje manifestados por crianças e adolescentes têm sido implantados neles pela própria ação contínua da comunicação mercadológica.
A infância não estaria sendo encurtada se as crianças não fossem chamadas para fora dela tão insistentemente pelo assédio consumista, contribuindo, entre outros problemas, para o aumento dos índices de gravidez na adolescência. Segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher de 2006, até os 15 anos, 33% das entrevistadas já haviam tido relações sexuais. Os índices da Sociedade Brasileira de Pediatria, que apontam 30% das crianças com sobrepeso e 15% delas já obesas, poderiam diminuir sem tantas mensagens de alimentos não saudáveis e embalagens sedutoras. A violência não estaria sendo estimulada se as mensagens persuasivas não atingissem igualmente os que, muitas vezes, não têm acesso sequer aos itens básicos. Em 2006, os meninos reclusos à Fundação Casa (antiga Febem) revelaram às pesquisas da instituição que 55% de seus delitos foram de roubos, evidenciando a crença de que serão aceitos na sociedade pela quantidade de objetos caros que puderem ostentar.
Hoje, em 28 países, a publicidade dirigida às crianças ou é proibida ou rigorosamente controlada. E a lista publicada em 2005 pela revista The Economist conclui que os 10 países com melhor qualidade de vida têm restrições à publicidade para crianças. Em lugar de discutir formas de atraí-las para o consumo, o Kids & Tweens Power daria sua contribuição efetiva à sociedade se discutisse, por exemplo, por quê o consumismo na infância ainda é estimulado no Brasil. Cada vez mais as empresas buscam atrelar seus nomes e produtos à preocupação com a sustentabilidade do planeta. Que este discurso seja, então, efetivo e baseado na reflexão coletiva sobre o preço que pagaremos se levarmos ao futuro crianças fazedoras de montanhas de lixo e cujo sentido de felicidade seja o ter em lugar do ser.

*Maria Helena Masquetti, 57, é psicóloga, possui especialização em Psicoterapia Breve e de Emergência e integra a equipe do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. Também foi publicitária por 12 anos.



Por favor, pais e educadores, cuidado com a Cultura Midiática!
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